A verdade é a melhor opção
Michel Hagge
Como bom brasileiro, torço pelo
êxito do novo governo, pois estamos todos no mesmo barco.
Vimos com admiração o presidente Lula da
Silva falar grosso com os sindicatos, alertando-os para o fato de que a era da demagogia
acabou, dando uma demonstração inequívoca de que ser oposição é uma coisa, e ser
governo é outra.
Quando na oposição, falavam em salário mínimo de 100 dólares, em baixar os juros, em
reduzir a alíquota do imposto de renda, em apoio às diabruras do MST. Tudo isso, pelo
que estamos vendo, vai ser lançado ao esquecimento.
Pergunta-se: será que eles não sabiam que aquelas propostas não podiam ser cumpridas?
Sabiam, sim. Lula está cercado de homens competentes e preparados, que sempre souberam
que a queda dos juros não depende da vontade do presidente da República, que o salário
mínimo elevado a níveis justos para o trabalhador quebrará a previdência, por causa do
grande número de aposentados, e também as prefeituras espalhadas por esse imenso país.
Sabiam que o imposto é necessário para que o governo implemente os projetos da área
social.
Ao meu ver, o que impede os políticos, em sua maioria, de dizer a verdade sobre as suas
propostas de governo é a própria pressão da maioria do eleitorado, que não quer ouvir
a verdade, preferindo ficar embalada pela ilusão do milagreiro. Não é à toa que as
campanhas políticas estão ficando cada vez mais reféns dos marqueteiros.
Vejamos o caso das invasões feitas pelo MST, que tem forçado o governo a desapropriar a
toque de caixa até terras impróprias para os assentamentos. Vou falar de uma área que
conheço bem, a região da Lapa. Esta provado, pela experiência dos projetos implantados
pela Codevasf, que aquelas terras só produzem com irrigação e assistência técnica
competente. São projetos que apresentam resultados excepcionais a olhos vistos, mas que
são caros e que o governo não tem recursos para implantar rapidamente e na quantidade
necessária.
A reforma agrária e necessária, mas deve ser feita com planejamento e não com a
desorganização dos assentamentos em áreas invadidas, transformando terras que poderiam
ser muito produtivas, desde que tratadas com tecnologia, em áreas degradadas por gente
que não tem nada a ver com a agricultura, assentados que não sabem nem manejar uma
enxada. Derrubam as árvores da mata e daí em diante ficam à mercê da ajuda do governo
ou das organizações de apoio social.
É preciso mesmo que o novo presidente bote as coisas nos seus devidos lugares, com mão
firme. Como bom brasileiro, torço pelo êxito do novo governo, pois estamos todos no
mesmo barco.
* * *
Quero registrar um agradecimento especial ao
povo de Itapetinga, que demonstrou nas urnas, nas últimas eleições, que valoriza quem
fala a verdade. Obrigado pelos 11.168 votos que me deram; obrigado pelos 9.738 votos dados
ao meu companheiro de chapa, o deputado federal Geddel Vieira Lima.
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